domingo, 15 de novembro de 2009

Como fazer dar errado.


Eu sei que a maioria dos meus posts tem uma carga de hormônios femininos muito forte, mas me desculpem meninas, hoje o recado é para os meninos.

Se você garoto inexperiente, não sabe como se comportar na frente das garotas, é gente boa, tem seu valor, entretanto não consegue se quer demonstrar, porque é extremamente tímido e na abordagem acaba soltando algo vergonhosamente desastroso e sem sentido, ou você é só sem noção mesmo e deveria desistir desse malabarismo do amor urgente antes que alguém se machuque gravemente, acho que eu conheço alguns caras que estão no seu time.

Não! Você não precisa cortar os pulsos e nascer de novo (mesmo que seja da minha natureza ser uma pessoa positiva, eu acho maldosamente que talvez alguns devessem pensar nisso com carinho), e as famosas "pedreiradas" (cantadas de pedreiro) também não precisam ser abolidas. Elas tem até um certo respeito da minha pessoa se ditas com requinte e charme. É o que eu sempre digo: "o instrumento todo mundo tem, porém é muito importante saber usar".

Já me diverti muito com a criatividade da galera para chegar em mulher e estranhamente, como é tendência na minha vida (ou até por atrair esse tipo de homem estranho...não sei, é uma teoria!), eu consegui reunir a maior quantidade de cantadas ruins por metro quadrado. Não sei se eu me sinto lisonjeada ou preocupada. Eu até acho que os pobres garotos andaram pegando umas aulinhas com o ilustríssimo Sr. Cordeiro e passaram na matéria com louvor, se graduando em afastar as menininhas da maneira mais bizarra possível.

Se conselho fosse bom a gente não dava, vendia, entretanto me sinto no dever de fazer algo sobre, sendo eu mulher, alvo e sentir que meus ouvidos às vezes sangram. Prestem atenção rapazes: Não existe a maneira certa, mas definitivamente existe a maneira errada. Vamos aos exemplos de como não se deve (em hipótese alguma) fazer. Reforço o pedido: por favor não tentem isso em casa, se isso por acaso lhe passar pela cabeça, ou se for inevitável e acabar escapulindo, atenção ao procedimento correto: se jogue no chão, finja uma convulsão e comece a babar, em seguida troque de nome, país e talvez de sexo. Vamos lá:

1) Cantadas de Açougueiro

É a versão piorada das cantadas de pedreiro. Esses senhores de roupas, avental e galochas brancas, parecem inofensivos, meros trabalhadores braçais fazendo um trabalho sujo, muito sujo, que ninguém quer fazer. Mas pensem com cuidado, eles estão cobertos de sangue dos pés a cabeça, e isso é uma constante na vida deles, me incomoda de certa forma, acho que é algo que fica registrado no meu subconsciente, pela quantidade de filmes de terror carniceiros que eu já assiti no decorrer de toda a minha vida, que não foram poucos. Quando eu era adolescente eu tinha uma estranha fixação por esse tipo de filme, eu digo estranha porque eu sempre passo mal...Vejo sangue e caio no chão, é tipo automático, não importa quão laranja e falso o sangue possa parecer, meu cérebro não se convence de que é ficção e mesmo assim eu ainda vejo; enfim...voltando ao nosso assunto...

Construam em suas mentes a seguinte cena: A moçoila sai de casa em um domingo de manhã, vestindo short velho rasgado, camiseta relaxada, sandália rasteira, cabelo desgrenhado e cara amassada de quem acordou a 20 minutos (ou seja, muito mulamba, afinal é domingo e ela está de mau humor, mas esse visual só faz reforçar a principal regra da pedreirada: "Se moveu, usa saia, é capaz de fazer xixi sentada, terá seu ego massageado"). O objetivo era comprar meio quilo de patinho moído para o almoço. Chega no açougue do mercado e pergunta educadamente ao açougueiro "Tem patinho para moer?" (uma pergunta simples, no máximo engraçada, se considerar o que possa vir a cabeça, tendo uma imaginação muito literal), na qual o açougueiro muito animado, com um sorriso radiante diz "Não moça, a carne que tem é essa aí já moída, na bandeja, e só tem acem". Até aí tudo bem, percebemos uma relação saúdavel entre cliente e profissional. A coisa começa a ficar bizarra quando ele sai de trás do balcão e a olha de cima embaixo dizendo "Não serve?". A moça finge não perceber nada fora do normal e diz "Acho que serve, mas tem como moer mais uma vez?" e o açougueiro dá uma piscadinha muito desastrada e solta " Para você, eu moía todo dia e toda hora!". E foi assim que ela virou vegetariana....Tá nem tanto, ela se limitou a um "Obrigada?!" muito sem jeito. Então o que eu digo não é "Não sejam açougueiros!", apesar de eu achar que todo mundo poderia ter um emprego melhor que esse, sem ofender os que o sejam, mas por favor não use metáforas constrangedoras sobre a sua profissão como instrumento de cantada, eu acho que dá totalmente errado.

2) Cantadas subliminares

Há quem se ache muito esperto, possuindo técnicas avançadas na arte da conquista e afirma que tratando-se dessa assunto vale tudo, inclusive mensagens subliminares. Talvez isso funcione com os filmes da Disney ou nas propagandas da Coca-Cola, mas em matéria de cantada....não sei não! A mensagem é detectada muito conscientemente, eu diria mais, recebida repulsivamente.

A técnica se limita a inserir no meio de uma conversa banal, frases que induziriam "a vítima", mais conhecida como a mulher-alvo em questão, a pensar que quem lhes fala é seu objeto de desejo, e pior ainda, que isso é algo incontrolável e inevitável. Vejamos uma simulação de como esse ato subversivo se desenrola. Considere que as mensagens subliminares são ditas muito rápidas e em voz baixa, quase que para que não se possa ouvir, inseridas em uma conversa de qualquer temática.

" ...então, eu acho que o país possui o governo que merece...Você me quer!...A gente fica indignado com a corrupção, mas não faz nada...Você me deseja!...Quem vota nulo para mim não tem direito de protestar contra coisa alguma...Você me quer muito, me deseja muito e acha que eu sou o amor da sua vida!...E eu digo mais, um dia ainda serei presidente!"

Vos digo uma coisa: isso não funciona, mas se feito do jeito certo, pode ser muito divertido e você vai continuar sem mulher.

3) Cantada semianalfabeta.

Inteligência não deveria ser uma qualidade e sim uma obrigação, item de fábrica mesmo. Nada mais deselegante do que falar errado e principalmente escrever errado. Tudo bem do cara querer dizer ou escrever coisas sem sentido, idiotas, cafonas; em certos casos é bem simpático e até engraçadinho; mas se vai entrar nessa e vai mesmo se prestar a esse papel, por favor que venha pelo menos de forma correta. Dói no meu coração ler " Te quero de mas!" ou escutar "Você tem uns colchão, hein?", principalmente se você prefere dormir pendurada em rede.

Piadinhas infames à parte (só para não perder o costume), fico muito desiludida... Tem garotos que possuem o potencial, papo agradável, sorriso bonito, tiradas inteligentes, humor inabalável e um português lamentável. É de desencorajar...


Percebam que tudo que foi dito faz bastante sentido e longe de mim encorajar um pensamento de que nós mulheres somos umas chatas exigentes, só somos sensatas, e senso é sempre bom ter à mão e aos previnidos de plantão, no estoque também. Espero que os rapazes tenham prestado bastante atenção, extinguindo esse tipo de comportamento totalmente de suas vidas e que as moças tenham compartilhado comigo desse momento de desabafo-advertência, e sobretudo que todos tenham dado boas risadas, que é o procedimento aconselhável ao receber qualquer tipo de cantada ruim.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Cutucada.

- Isso aí no canto do seu olho é uma lágrima?
- Não! Eu não choro desde 1976!
- Tudo bem eu não vou contar para ninguém...
- É que mais cedo eu bati o dedinho no pé da cama, então fiquei tonta de dor e escorreguei no tapete, enquanto isso uma mariposa gigante voou por cima de mim e soltou um pozinho amarelo em cima do meu olho, e eu ainda suspeito que ficarei cega, juro! ....Tá! É a música! Quando eu a escuto dá uma dorzinha aqui dentro...
- Então porque você escuta?
- Porque às vezes eu preciso sentir qualquer coisa...




...e são das músicas tristes que eu gosto...

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Peripécias desimportantes de férias forçadas

Acho que não é segredo para muita gente que eu larguei o meu emprego. Largar de jogar tudo pro alto mesmo, fiz isso sorrindo e dançando (quase sapateando) de tão aliviada, sem medo de ter feito a coisa errada. Como se por muitos anos eu carregasse um fardo que não era meu, até que eu cansei infinitamente. Comecei a pensar mais em mim, nas coisas que eu queria. Uma atitude egoísta, mas um grande passo para mim que ando fazendo cursinho para aprender a dizer não.

Não é que eu não gostasse do que eu fazia, se um dia eu escolhi esse caminho é porque alguma alegria ele me dava e eu realmente o via iluminado em algum ponto do percurso, mas é a tal coisa, às vezes a gente se perde, imprevistos acontecem e a gente se vê no escuro. É nessas horas em que a gente pára tudo, amassa o rascunho, joga no lixo e recomeça em uma folha em branco novinha.

Mas te digo uma coisa: folha em branco assusta para caramba.

E nessa trilha toda do auto-conhecimento, às vezes penso que uma luz do além vai descer sobre mim e me mostrar tudo o que eu tenho que fazer. Como essas coisas raramente acontecem na vida real, eu estou tentando procurar as pedras mais firmes pra pisar e procurando ser sensata nas minhas escolhas, o que é mais difícil do que eu imaginava.

Achei bom tirar um tempo de férias. Passar mais tempo comigo mesma, fazer minhas caminhadas, colocar livros e filmes em dia, ficar de bobeira, visitar os amigos que também não trabalham, fazer artesanato, se dar ao luxo de tomar banho de piscina enquanto todo mundo está trabalhando, sair para tomar sorvete no meio da tarde, dar banho nos cachorros, levá-los pra passear, chegar em casa tarde sem ter que preocupar com o horário do dia seguinte....tem sido muito bom! Faço de tudo, até pintar parede eu tenho pintado, menos pensar no meu futuro, isso sempre pode ficar para amanhã...

Confesso que dá uma certa dor na consciência essas coisas. Agora por exemplo enquanto perco esse tempo na internet é como se eu estivesse assinando embaixo na minha condição de vagal. Veja bem, não estou reclamando, só me sentindo um pouco envergonhada por estar aproveitando essas férias por tempo indeterminado. Estou tão acostumada a trabalhar...é como se a gente perdesse mesmo a dignidade por estar desempregado, sei lá, é a impressão que eu tenho, não que seja assim.

Sobre as minhas peripécias, andei fazendo umas coisinhas legais, como por exemplo esses pseudo-quadros de fotos na parede do meu quarto. Gastei uma madrugada fazendo, me rendeu uma dor nas costas horrível e a tinta no cantinho da unha não quer sair de jeito nenhum, mas eu até que gostei, e o legal é que eu posso sempre trocar as fotos que estão só grudadas na parede com fita crepe.

O lilo minduim insistiu em sair na foto...ele também gostou!

Outra coisa legal que aprendi são as "jurupitinhas". O nome não é esse, foi batizado assim pela minha mais nova professora de origami a Maysa "Jurupita". Ela me deu de presente esse móbile lindo de flores de lótus com estrelinhas. E como eu muito insisti ela me ensinou, mas eu juro que não ensino para ninguém, é tipo segredo mesmo, "aprendeu, morreu". E agora eu já posso me vangloriar que eu sei fazer 5 tipos de origami! Fico toda me achando.

prazer, eu sou a jurupitinha!

Jurupitinha em detalhe.

Estou pintado uma parede do escritório também, fazendo um desenho bonito, ou pelo menos a intenção era que assim o ficasse. Se ficar legal mesmo, eu posto aqui depois. Acho até que se nada der certo, eu sei uma quantidade razoável de artesanato para virar hippie e sei pintar paredes também, mas tudo bem razoavelmente...

Mês que vem penso que uma nova vida me espera, novo lugar, novas pessoas...assim o espero. Mês que vem é mês que vem, até lá eu posso inventar de pintar mais paredes e fazer mais origami, porque a luz do além reveladora mandou avisar que vai chegar atrasada.