Domingo, 5 de Julho de 2009

Até o azul ruína

Quando Deus me criou ele disse "Terás cabelo a valer! Lave-os com um bom shampoo, faça hidratação de 15 em 15 dias, ame ao próximo e vá ser feliz na Terra!"

Fui agraciada com cabelos louros, mas aos 15 anos de idade eu achava pouco, eu queria mais, então eu comecei com uma mechinha descolorida de leve, uns reflexozinhos aqui outros ali. Todos diziam que eu era muito nova pra começar a tingir o cabelo, que eu deixasse para quando realmente precisasse, que é a fase da vida das mulheres em que elas tem duas opções: ou ficam grisalhas ou ficam loiras. Eu dava de ombros, eu queria me ver diferente de algum modo, e sabia que quando eu quisesse eu podia parar, mas não foi assim. Eu queria sempre mais e mais...foi assim que veio a primeira tintura e os primeiros experimentos capilares. Mal sabia eu que era um caminho tortuoso e sem volta.

Sempre adepta do "faça você mesmo em casa", salão de beleza nem pensar, então com tintura de farmácia, eu mesma clareei ainda mais meus cabelos, e gostei tanto de mim loiraça, que eu passei a fazê-lo todo mês. Eu não contava com uma coisa: o meu cabelo tem tendência a alaranjar depois de um tempo, então, para não ficar parecendo uma cenoura ou que eu o lavava com água de salsicha, eu testei por muito tempo todos os tipos de loiro que poderia existir, até chegar a um tom acinzentado, mais escuro. Era esse! Eu podia ser feliz assim!

Tudo ia bem e a vida era boa, até eu termimar com meu primeiro namorado. As mulheres são assim, quando se sentem rejeitadas a primeira coisa a fazer é mexer no visual. É muito difícil convencê-las de que se o relacionamento não der certo não tem nada a ver com a sua aparência. Taquei logo um vermelhão e pela primeira vez senti o poder que um cabelo vermelho tem. Além de nos fazer sentir com algum super-poder, vicia de um jeito que dificilmente deixamos de ser ruiva, (até porque o vermelho não sai com facilidade fica sempre o vestígio não importa a cor que coloque depois) sem falar que chamou muita atenção, principalmente do ex namorado.

Mas o caso é que passei a procurar nos vermelhos, o meu tom ideal. Foi de vermelho cereja ao sangue, e houve até uma época em que eu parecia um fósforo ambulante, ganhando o apelido de "fiat lux" na faculdade. Era legal, eu gostava muito, contrastava com a minha pele branquíssima e eu parecia uma viking, além de me dar um ar de adolescente revoltada. Havia um pouco de verdade nisso, combinava perfeitamente com tudo o que eu passava na minha vida naquela época. Quando eu olho para trás eu ainda penso como é que eu consegui passar por tanto. Foi difícil por mais alegre que o meu cabelo fosse.

Fiat Lux

Tive umas recaídas, enloireci uma outra vez, depois não resisti e voltei aos cabelos de fogo, dessa vez mais naturais. Houve quem perguntasse se eu era ruiva de verdade e houve quem se desapontasse também quando ouviam o não de resposta.

Uma vez aconteceu uma catástrofe. Sabe quando a poção do cientista maluco dá errada? A hora em que o médico vira monstro? Pois é, passei uma tinta por engano e o meu cabelo ficou quase rosa choque. Tive que passar um castanho escuro, que na verdade ficou preto. Eu posso dizer, com um certo orgulho talvez, que eu já foi loira, ruiva e morena. Foi quando eu comecei a fazer piada comigo mesma, e pensar seriamente em azul ruína, cor que a Clementine, personagem da Kate Winslet, usava no filme "brilho eterno de uma mente sem lembranças" (um dos meus preferidos), ela também mudava de cor de cabelo como quem muda de roupa. O vermelho fósforo já teve vez porque não o azul? Não sei o que acontece, acho que essa vontade de mudança vem de uma vontade de mudança interior fracassada. É sempre assim, quando algo está errado, eu mudo o cabelo, como se uma nova cor trouxesse nova cor para a vida. E meio que funciona...sempre é bom no começo, mas depois deixa de ser novidade e volta a ser como era.


Filme "Brilho eterno de uma mente sem lembranças" - o azul ruína de Clementine - a inspiração, hehe.

Eu estava conseguindo, tinha parado com os experimentos. Após tantos anos procurando a cor ideal, eu havia encontrado. Porém essa semana eu precisava retocar a tintura e não encontrei em lugar algum a cor costumeira. Para infelicidade geral da nação, ela havia saído de linha, pensei em recorrer novamente ao loiro, mas todo mundo é loiro na minha família, é muito monótono, e como eu disse, vermelho vicia, então lá fui eu fazer experimentos com o meu cabelo.

O certo seria que eu aprendesse com os erros. E com toda a minha experiência em cabelos tingidos, saber que tinta 7.4 de uma marca, não é a mesma 7.4 de outra. E que ao prepará-la e perceber que a cor é estranha, não tacar no cabelo e ver no que dá. Fui ver no que dava...

Voltei a fase da viking revoltada, embora eu esteja parecendo um personagem de mangá. Mesmo que meu cabelo esteja brilhante e sedoso como nunca, eu odiei a cor, fiquei com vergonha por mim, queria raspar a cabeça no zero ou lavar com alvejante para ver se desbotava. Mas algo estranho aconteceu: a primeira vez que sai na rua no intuito de comprar uma tinta pra passar por cima, recebi vários elogios e até um bebê queria puxar meu cabelo (me confundindo com um brinquedo gigante, certeza), mas o que me fez mudar de idéia e deixar tudo como está, foi uma opinião masculina, de alguém muito relevante (opinião = olhada, secada, encarada, seguida de sorrisinho maroto de tirar o ar e um "oiiii! você vem sempre aqui?). Me convenceu.

Mês que vem é outra história, só Deus sabe que cor vai reinar sobre minhas madeixas. Enquanto eu tiver cabelo, eu vou experimentando...

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Conversas imaginativas de msn II


mais conversas imaginativas de msn aqui.

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

Histórias para não dormir

Hoje foi aniversário do meu avô, aquele tal de seu Rodolfo Carlos Pfrimer, barba de papai noel, branquelão tiposo, 1,92 de pura simpatia, distribuida todas as manhãs pelas ruas anapolinas. Membro antigo da CAF (Clube dos Aposentados Fofoqueiros), está por dentro das mais quentes novidades da cidade e das redondezas.

O fato é que a família reuniu para comemorar mais algumas primaveras dessa figuraça que é o pai do meu pai. Comprei para vovô um dvd com três filmes de cowboy - seus preferidos - todos estrelados pelo Clint Westwood, filmes de homem macho. Seus olhinhos até brilharam com o presente, acho que ele gostou.

Conversa vai, conversa vem, pão de queijos a valer e histórias para não dormir. Vovô que é grande contador de "causo", jura que não conta mentira, se gaba de ser apenas criativo, "e acredite quem quiser!". Algumas histórias eu já ouvi mais de uma vez, mas eu gosto de ouvi-lo contar, elas tem sempre um "quê" de originais. Eu tenho as minhas preferidas, como a de quando ele era criança, estudava em um internato e tinha o costume de fazer xixi na cama, as freiras sempre batiam nele por isso, então ele resolveu acabar com o problema e amarrou o "pipiu" com um barbante. Tem aquela em que ele pega dinheiro emprestado com a Santa da Igreja, pegou o dinheiro da caixinha de caridade aos pobres pra comprar pão com salame na venda, ele não julgava estar pecando muito, afinal de contas ele era bem pobre. Ou a de como conheceu a minha avó: trabalhava em uma oficina mecânica e passava todos os dias em frente à janela da casa dela, todo sujo de graxa e com um remendo enorme na camisa (essa parte ele gosta sempre de frisar) sem dizer palavra, só de olho, até que um dia ela disse "O moço não cansa de trabalhar tanto não?" e ele responde (é nessa hora que a entonação de voz denota todo o seu orgulho do feito) "Canso, mas quando vejo uma moça bonita assim o cansaço passa", e foi assim que logo depois de apenas 7 meses de namoro eles se casaram.

Depois dessas, as que eu mais gosto são as da época em que ele era da polícia rodoviária e as histórias da fazenda em que ele nasceu, a São Bento, lá em Alto Paraíso de Goiás, Chapada dos Veadeiros, mas são as que me fazem arrepiar dos pés a cabeça também, mesmo sabendo que pela criatividade do meu avô, muitas tem chance de serem só meias verdades. Como a minha tia avó, irmã dele estava presente e confirmou tudo, tem mais chance de alguma veracidade e já foram suficientes para me deixar bem acordada hoje.

Já aviso logo a quem não puder suportar conviver com uma "assombraçãozinha", ou tiver medo do escuro e de dormir sozinho depois de histórias desse nível, que abandone já essa leitura, eu não me responsabilizo pela noite não dormida. Se você é bravo e quer provar que tem coragem siga em frente e boa insônia.

A história do policial que tinha medo de defunto

Meu avô sempre contou dos horrores que ele já presenciou em rodovias. Acidentes grotescos, com vítimas fatais. Muitos mutilados, degolados, chamuscados, de fato, não deve ser nada fácil ter que vivenciar tais cenas. E tinha esse colega dele, que tinha pânico de defunto, tanto medo que há quem diga que ao cair em um barranco em que um homem havia morrido após o capotamento do carro, ao dar de cara com a vítima (que diz meu avô morreu de língua para fora) ele consegue, contradizendo todas as leis da física, subir o barranco de costas.

O medo dele era tanto que ele não arriscava dormir na cama que tinha lá no posto, (pois era o momento em que ficava sozinho) no seu horário de descanso na madrugada, preferia cochilar sentado, onde os outros policiais trabalhavam. Até que um dia ocorreu um acidente de ônibus, e não sobreviveu quase ninguém. Uma das passageiras que morreu usava uma peruca loira (muito usada em penteados da época pelas mulheres, tendo elas cabelo ou não). Não sei por qual motivo bizarro, os policiais guardaram aquilo no posto. Foi bem na época em que haviam recebido um viajante assustado, que dizia ter dado carona a uma moça loira vestida de noiva, que estava nas proximidades do posto japonês, na BR 153, estrada de Goiânia para Anápolis (sempre suspeitei que aquele lugar era meio assombrado), e durante a viagem, a moça contava que havia fugido do próprio casamento, pede que o moço pare e simplesmente desaparece aos olhos dele.

Em uma bela madrugada em que o sr. medroso dormia sentado, colocaram a peruca nele para sacanear o coitado. Ao acordar e se olhar no espelho o susto foi tanto que ele caiu duro no chão desmaiado. Eu suspeito que ele não durou muito nesse emprego.

A velha do pote de ouro

Comentei com o meu avô que a minha última ida à Fazenda São Bento tinha sido assustadora. Foi logo quando o meu bisavô morreu. A família toda estava reunida lá, e como a fazenda virou pousada, nós não ficamos na casa sede, nós ficamos em uns chalés recém construídos. Depois de todas as histórias assustadoras que meus primos me contaram sobre mulheres arco íris (de branco, vermelho, amarelo, roxo...), pai do mato e extraterrestres, estava eu com uma certa insônia, mas como sou corajosa, fui dormir na cama embaixo da janela. A noite inteira eu ouvi um uivo e batidas ritmadas na madeira ao meu lado. Podia ser o vento, mas parecia uma vaca. E as batidas ritmadas? Eu não tinha explicação para aquilo. Me encolhi o máximo que eu pude embaixo da coberta e estava decidida a não tirar nem o nariz para fora, como se aquilo fosse me salvar.

No dia seguinte a minha irmã e minhas primas comentaram sobre o mesmo barulho, e sobre a mesma "insônia". Estávamos tão amedrontadas que cada uma pensou que o barulho fosse produto da própria imaginação.

O meu avô perguntou onde era o barulho, e eu disse que era perto da jaqueira. Ele fez o que eu temia. Disse que contavam uma história que a muitos e muitos anos atrás, morava uma velha naquela mesma fazenda que certa feita enterrou um pote de ouro, com toda a sua riqueza embaixo daquela árvore para que os salteadores não encontrassem. E desde então passou a vigiar o local, depois de morta continuou a vagar por lá todas as noites protegendo o seu pote de ouro. Há relatos de vários peões sobre essa velha, mas há muitas contradições na descrição da sua aparência. Essa é uma das histórias mais fracas que eu já ouvi. Improvável eu sei, mas mexe com a gente no fundo, no fundo, essas coisas de fazenda velha, e de fazenda e de velha.

O clarão entre os buritis


Meu avô sempre gostou de se embrenhar no meio do mato para caçar pacas (não pra caramba, pacas mesmo, aqueles bichinhos!). Então lá foi ele com um amigo de caça, iriam passar a noite em um lugar que encontraram na mata, cheio de buritis enormes. Penduraram suas redes e um ficou de costas para o outro, a fim de se protegerem durante a vigília. Acabaram dormindo com aquela "divertida" atividade, como era de se esperar. Acordam no meio da madrugada com um estrondo e um clarão, que parecia mais uma bomba, não conseguiam identificar de onde vinha. O amigo do meu avô começou a chorar de medo e o meu avô tentando se fazer de valente, disse que era melhor eles não sairem dali, porque não sabiam o que tinha acontecido (eu acho na verdade é que ele não teve coragem de se mover). Assim que amanheceu voltaram para fazenda e foram contar o acontecido aos peões, que disseram não ter visto ou ouvido nada, mas espalhou-se uma história de que meu avô e seu amigo viram disco voador, fazendo contato imediato com extra-terrestres. Sabem como essas histórias tomam proporções né?
Só mais tarde eles foram descobrir que ali onde eles passaram a noite, existia um antigo cemitério, com algumas covas sem jazigo nem nada. Seriam então fantasmas aquele clarão?

Depois de discutirmos bastante o assunto bolamos uma teoria lógica para os acontecimentos: fogo-fátuo.
Não se desesperem, eu explico. Fogo-fátuo (ignis fatuus em latim), também chamado de Fogo tolo ou, no interior do Brasil, Fogo corredor ou João-galafoice, é uma luz azulada que pode ser avistada em cemitérios, pântanos, brejos, etc. É a inflamação espontânea do gás dos pântanos (metano), resultante da decomposição de seres vivos: plantas e animais típicos do ambiente. O fenômeno pode ter ocorrido e na cabecinha do meu avô e seu amigo, tudo foi potencializado pelo medo.

Viu? Padre Quevedo que o diga: "Isto não equixiste!".

A visita

Meu biso sempre foi muito cético, era um homem sério, acho que deve ser coisa de austríaco. Certa vez, quando meu avô era criança, meu biso estava deitado na rede enquanto seus filhos brincavam perto dele, estava escurecendo, mas ele tinha quase certeza que viu um homem sentado em um banco de madeira ali próximo à casa. Então perguntou com aquele sotaque alemão: "Quem está aí? Quem está aí? Quem estaí?" e não obteve resposta, o homem sumiu como que por mágica.

Naquele tempo era comum em Alto Paraíso as chamadas "possessões", então rolava aqueles rituais de exorcismos com direito a voar livros e crucifixos pela janela. Como o meu biso era médico foi chamado a um desses rituais estranhos. Era uma moça muito religiosa, que gritava em latim. Meu biso disse que não acreditava em nada daquilo, eis que a moça diz pra ele em uma voz que não era dela: "Não acredita? Era eu quem fui te visitar na fazenda, e você me chamou três vezes!". Para mim essa, sem dúvida é a história mais escabrosa. Nem quero saber se é verdade, mas meu biso passou a acreditar em certas coisas desde então. Bom, é o que o povo conta.

A dama do bambuzal

É a última prometo. Certa vez o meu avô recebeu na fazenda um caminhoneiro que estava de passagem. Após procurar vaga nas pensões da cidade, optou por ficar na São Bento mesmo, encostar o caminhão ali perto do bambuzal e passar a noite. Assim o fez. De madrugada ele acorda com o barulho do vento, e vê sair de trás dos bambus, uma jovem muito bonita, de pele bem alva. Ele animou-se (assanhado!) e abriu a porta do caminhão para que ela entrasse. Quando a moça entrava lentamente no caminhão, ele só sentiu um vento muito gelado e ela passou por ele como um jato.

O homem começou a gritar por socorro e não conseguia parar de tremer. Tiveram que levá-lo ao hospital, estava em tempo de ter um troço. Depois disso deve ter corrido 1 semana direto, sem nem olhar para trás. Acho bem feito, ele deveria saber que uma moça andando sozinha, saindo de um bambuzal, no meio da madrugada não devia ser coisa corriqueira.


Isso é tudo pessoal. Espero não ter matado vocês de medo, se quiserem dormir no meu quarto tudo bem, agora tem bastante espaço. De qualquer forma, antes de dormir vou olhar embaixo da cama e dentro do guarda-roupa.

Falando no assunto olha que bizarra essa matéria. Fake, mas meeedo!


Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

"Essa vai pro blog, hein?"

Casinhas típicas de Pirenópolis

Eu tenho com os feriados uma relação de amor e ódio. É ótimo por não ser um dia de trabalho, mas é péssimo porque alguém algum dia inventou que esses dias são reservados à pura diversão, com várias atividades programadas que requer muita energia, disposição e bom humor, os amigos e familiares te chamam para sair e tudo o que você quer é ser um bicho-do-mato, dormir até o meio dia, comer, ficar de pijama e pantufa, assitir a 47 filmes enquanto se afoga em sorvete, comer mais um pouco e voltar a dormir. Acreditem, e eu estaria feliz com isso, muito feliz!

Tudo correu como o (não) planejado até as 17h. Acordei tarde, fiquei de pijama, almocei lasanha (bem garfield!) e assisti à dois filmes: Violação de Privacidade com Robin Willians e Marley e eu pela segunda vez (que me fez chorar disfarçado para ninguém ver, como na primeira vez). Havia chegado à parte do sorvete, ou melhor dizendo, picolé. Resolvi que iria quebrar um pouco as regras, tomar um banho e tirar o pijama para ir até a sorveteria da esquina com o meu cunhado e a minha irmã. Mamãe pediu que passássemos na farmácia também, então pegar o carro seria conveniente. E já que estávamos de carro porque não um tour pela cidade? Lembrando a vocês que passear em Anápolis em pleno feriado é que nem piada ruim...bem sem graça.

Jorge, o meu cunhado-advogado-guia-turístico e maluco nas hora vagas e não vagas, nos levou a conhecer um bar da árvore em Anápolis City (é o nome do bairro mesmo, bem original né?), e descobrimos como chegar a várias partes da cidade por lugares nunca imaginados. A próxima parada era a farmácia. Mas me deu um rompante, um desejo súbito por churros, eu não conseguia pensar em outra coisa, lembrei à minha irmã que ela havia prometido fazer churros no final de semana. Eu não podia esperar até lá!

Seguimos em uma busca desesperada por carrinhos de churros. Pedi ao Jorge para ir à praça Bom Jesus, porque afinal de contas lá existem criancinhas, cachorrinhos, brinquedos de parque de diversão, então logicamente encontraríamos churros. Só tinha pipoca de bola rosa. Fiquei feliz também. Aproveitamos e fomos à farmácia que tem ali perto. Dentro do carro novamente, chegar em casa e colocar o pijama de novo me deixaria mais feliz. Foi então que meu cunhado começou a divagar e de repente estávamos em far far way, lá na Jaiara (praticamente outra cidade dentro de Anápolis e longe!).

Perguntei: "Vamos para o morro da Capuava?", meu cunhado: "Mais além". "Vamos para os confins da Jaiara? e ele "Mais além". "Pra base áerea então?", "Nananinanão, mais além". "Jorge já disse que você é doido? E isso é um elogio!".

Doido pra caramba. Estávamos na estrada rumo à Pirenópolis ao som de beach boys, Roy Orbison, Beatles e Paul Simon and Garfunkel! Desculpa para a viagem: comer churros e comprar um espelho com umas flores que pareciam ser feitas de latinhas de refri (que a minha mãe havia dito que conseguiria muito bem fazer em casa, ela própria, como o Jorge não queria que ela se cortasse tentando fazer a moldura do espelho, resolveu presenteá-la).


Trilha sonora de dar tchauzinho pra polícia.

O carro do meu cunhado que é um golf, mas eu jurava ser um gol até pouco tempo atrás (sou mesmo ligada nesse lance de carro!) tem teto solar e é super legal. Então eu e minha irmã nos sentimos a própria juventude transviada, tipo filme com James Dean, subimos e colocamos o tronco pra fora do teto solar cantando e fazendo dancinhas esquisitas, intercalando com gritinhos de "uuuuuuuu!" enquanto balançávamos os braços de um lado pro outro frenéticamente. Pode ter sido a anilina da pipoca rosa, ficamos loucos e ridículos!

Frases aleátorias saiam de mim gritadas tipo :"gente e se eu engolir um bicho?", "a minha pele vai descolar das bochechas!", "Olha! eu vou dar tchauzinho pro próximo carro que passar!". O próximo carro que passou tinha sirenes. "Ai não! É a polícia!" e me joguei no banco de trás. A minha irmã falava "agora você corre Jorge, vão fazer uma barreira pra gente quando chegarmos em Pirenópolis procurando a doida do tchauzinho!".

A polícia não viu a doida do tchauzinho, ou se viu deixou pra lá.

Entre risos e mais dancinhas, chegamos em Piri e fomos direto à loja do espelho. Eu percebi que a moça que nos atendia me olhava estranho, e eu imaginei que fosse por conta do meu cabelo que devia estar um auê de tanto vento. De repente quando estávamos indo embora, pude perceber em um dos espelhos da loja que eu parecia saída de uma tribo aborígene, estava com marcas rajadas de graxa por todo o braço, nos dois, bem pretas e contrastantes com a minha falta de melanina. A moça da loja disse "eu vi isso no seu braço e achei que eram tatuagens". De fato quase eram, fui ao banheiro lavar e não saiam de jeito nenhum. Eu pensei "ah! q se dane!". E continuamos passeando pela cidade daquele jeito mesmo. Uma voltinha pela feirinha da praça do coreto, um encontro com minha amiga Wesdra por acaso, descemos a rua da lazer e de repente o Jorge começa gritar "churros! churros! churros!". Deu até uma vergonhazinha disso, algumas pessoas olharam assustadas, mas nada que nos interrompesse naquele momento sublime. Enfim o delicioso churros, bem quentinho, aquele doce de leite, o açúcar, a canela...ai,ai! Tudo o que eu pensava era que ter tirado o pijama naquela tarde tinha valido totalmente a pena.

Fizemos um amiguinho de três anos de idade, o José Carlos, que com sua arma imaginária matava cada pessoa que passava, enquanto tentávamos convencê-lo de que ele tinha era que ser "paz e amor". Foi difícil convencê-lo, ainda mais quando ele vê descendo pela rua um hippie bem sujo, trôpego de tão bêbado, com um dread velho no cabelo. O menino diz "Monstro! Eu tenho medo!" Não dava pra não concordar. O hippie sentou ali perto e se enturmou logo com um cachorro, batendo um papo bem cabeça!

Seguimos pelas ruas da cidade e já que estávamos ali mesmo "Ah! vamos comer pizza!". Pizzaria Santa Dica, bem bonitinha, com bancos de madeira, ao ar livre, velas e tochas por todos os lados, sentamos no fundo para não pagar couvert artístico e ainda conseguimos convencer o garçom a dividir duas porções de spaguetti em três pratos, e isso era "contra as normas da casa!". Enquanto esperávamos a comida, relembrávamos a história do tchauzinho pra polícia, e pra ilustrar como eu havia feito, eu gesticulava com os braços pra cima, balançando de um lado pro outro fazendo "uuuuuu". Rimos mais um monte e de repente o garçom pára ao nosso lado e fica lá com aquela cara de paisagem, a Júlia diz "Sim?" e ele "ué, vocês que me chamaram, a moça ali fez "uuuuuuu"! e me imitava tal qual eu havia feito! Meu cunhado só diz "liga não ela é doida, olha só os braços dela!". A cena foi mais engraçada do que eu poderia suportar, tenho que dar o braço (manchado ou não) a torcer de que o "uuuuuu" do garçom foi muito melhor que o meu.

Chegamos em casa à tempo de pegar a sorveteria aberta e comprar os picolés, meio que para nos desculpar com a minha mãe pelo sumiço de quatro horas, sem explicação, sem celular e sem noção e caso ela tivesse chamado a polícia, ter alguma coisa pra servir pros guardas. Entramos com cuidado, espelho todo embrulhadinho, cantando parabéns pra você. Foi difícil convencer a minha mãe de que não estávamos bêbados (sem razão), porque além do aniversário dela ser em fevereiro, eu estava toda suja de graxa e descabelada, mas ela não ficou nem um pouco brava. Ficou tão feliz que não sabia se pendurava o espelho ou chupava o picolé, ou se chupava o espelho e pendurava o picolé.

O meu cunhado se despediu e disse "essa tem que ir pro blog, hein cunhada?"

É teve que vir!




Quarta-feira, 10 de Junho de 2009

"Meros devaneios tolos a me torturar..."

Lendo uma história sobre celebridades que aparecem do nada
na vida da gente, comecei a lembrar das minhas próprias histórias com celebridades, não que elas sejam assim tão vastas, mas já é alguma coisinha né?

Eu gosto muito de Zé Ramalho. Metade por herança do gosto musical do meu pai, metade por sentimento de culpa.
Quando eu tinha mais ou menos dois anos de idade e era uma criancinha loira, ingênua e sincera (essa aqui do lado ó!), eu e minha mãe fazíamos muitas viagens aéreas para visitar nossos parentes na cidade de São Paulo. Se eu dissesse que lembro da história estaria mentindo, porque por mais que eu tenha memória de elefante, aos dois anos de idade só tenho flashs de coisas que me aconteceram graças à minha memória fotográfica. Me resta acreditar no que a minha mãe conta, que talvez fosse o início de todo histórico de uma vida de vergonhas.

Bom estávamos lá no tal avião, eu sentadinha no colo da mamãe, fazendo o meu papel de criancinha comportada, fazendo as gracinhas que uma meninha de 2 anos normal faria, eis que senta ao nosso lado essa pessoa que vocês conhecem muito bem:

"Você vai chorando e eu fico sorrindo, Conte pras amigas que tudo foi mal.."

Ele deveria usar exatamente esse visual. A gente tem que convir que ele não era uma coisa linda de Deus, me olhou com aquela cara de "eu vou te jogar num pano de guardar confetes" e com aquele vozeirão (que aos meus ouvidos deveria ser amedrontador) disse: "Que menininha linda! Vem no colo do tio, vem?"

E então eu continuei sendo uma criança normal, porém assustada e chorei compulsivamente, com toda a força dos meus pulmões dizendo "Biço mamãe!" (tradução: Bicho, mamãe!). Acho que naquele momento ele preferia ter pego um táxi para estação lunar àquele avião. É, eu consegui deixar o Zé Ramalho e a minha mãe sem jeito, numa tacada só.

Se um dia eu o encontrasse na rua por acaso, a primeira coisa que eu faria era lhe dar um abraço e dizer: "me perdoa?"




Sábado, 6 de Junho de 2009

Flagrante

Dia cinco do mês seis de dois mil e nove, exatamente às dezoito e dezessete da tarde, eu giro a chave do portão da casa dos meus avós e entro em silêncio pé ante pé, indo até a janela da sala para surpreendê-los. Vovô e vovó sentadinhos no sofá de mãos dadas, assistiam televisão entre olhares e sorrisinhos um para o outro.

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Sorry, I'm late



A intenção era fazer a lista das coisas já feitas. O bloqueio provocado por um item solitário naquele papel branco lhe causou um embaraço estranho. Então ela fez uma lista das coisas que deveria fazer. Chamou de "lista das coisas não feitas". Tentou separar por categorias: não feitas por medo, não feitas por impossibilidade, não feitas por preguiça, não feitas por não achar que fosse preciso e não feitas por motivo de incapacidade. Sua mão não parava de escrever ansiosa e quando deu por si estava diante de uma folha escrita frente e verso.

Tentativa de norteio frustrada. Se sentiu ainda mais perdida por não saber por onde começar. Não havia como peneirar ou estabelecer uma ordem entre os itens, porque ela simplesmente não tinha idéia do que era importante para ela e tinha consciência da sua irremediável falta de organização. Para quem se privou de muito e se especializou na arte do procrastinar, qualquer coisa é importante, se fosse suficiente para que ela entendesse o que era a sua vida, se sentisse confortável e feliz com essa descoberta.

Guardou a lista das coisas não feitas embaixo do travesseiro, pensando que já era tempo de recuperar o tempo perdido. Suspirou pausadamente, como se o ar fosse pesado em seus pulmões e ao soltar o ar devagar esperava que houvesse mais lugar dentro de si para alguns dos sentimentos bons que andara tendo ultimamente. Sobretudo aquele exercício não a deixaria transbordar.

Vídeo roubado do
Miúdezas diárias.
Roubo perdoável já que esse vídeo é coisa linda de Deus e do Tomas Mankovsky.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Quando a gente tá contente tanto faz o quente tanto faz o frio

Laaá....lalalalalalá!!!


Barato Total , Gal Costa

Sorriso bobo na cara.
Dançando esquisito pela casa.
Cantando loucamente o mais alto que pode enquanto dirige.
Contente! Só isso...

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Manter a -18° C


"Joycinha de Guadalupe! "


Domingo, 10 de Maio de 2009

Pãe.

"Mamãe querida, meu coração por ti bate como creme de abacate"

Eu nunca fui muito de fazer posts relacionados à datas comemorativas. Mas esse ano, como a grana está curta e eu fiquei sabendo que minha mãe lê meu blog, cá estou para dizer para mamis o quanto eu sinto por esse ano não ter lhe dado presente. Não que ela não mereça, ela sabe que eu daria a ela uma baleia se ela quisesse (eu pensei em baleia pelo tamanho do bicho, por ser proporcional a todo meu amor!). Ela melhor do que ninguém sabe dos perrengues que passamos em nossa humilde e conturbada vidinha, talvez a falta do regalo e uma baleia na nossa piscina fosse o "menor" deles.

E é sobre o tamanho desse amor que eu queria tagarelar. Não melhor não...seria falar demais! Ou se eu tentasse explicar usando baleias, elefantes e dinossauros como comparação, a coisa não ficaria boa para o meu lado. Então eu posso dizer o porquê de tanto amor, e não é um sentimento obrigado ou imposto pelo simples fato de ela ser a minha mãe, e pela ordem e natureza das coisas, a lógica seria eu ama-la e pronto. Também não é uma questão de dar valor, sendo que tantas pessoas não tem mãe e eu tenho, nem de agradecimento por ela ter sofrido as dores do parto, me colocado no mundo, trocado minhas fraldas, me alimentado até que eu pudesse largar a mamadeira e a chupeta por "sukutian" (sutien) e "moke" (esmalte), tão pouco por eu ser tão parecida com ela fisicamente a ponto de confundir esse sentimento com amor próprio, não, não... meu amor por ela simplesmente acontece.

"Parece você segurando você mesma"

Eu estaria mentindo se eu dissesse que a minha mãe é a melhor mãe do mundo, até porque eu acho uma injustiça tremenda nomear alguém com tal título, ser mãe já é difícil demais, ainda ter que ser a melhor é sacanagem. Mas ela é a melhor que eu poderia ter, e não quero outra em troca nem por um engradado de toddinho. Além de ser pãe (pai + mãe) e cumprir muito bem o seu papel, ela tem uma gargalhada ótima que se eu pudesse eu engarrafava um pouquinho para guardar, dizem também que ela é ótima compainha de banheiros femininos, vai à festa a fantasia, bebe uma garrafa inteira de lambrusco comigo em casa, implica com as minhas saias hippongas, não alcança a máquina de cartão do estacionamento do shopping sem descer do carro, fala de boca cheia, passa vergonha no filho fazendo torcida no jogo de vôlei gritando "eu que fiz!" frenéticamente e apontando para ele, repete a dose na minha formatura registrando a frase em cartaz, briga comigo por eu ser bagunceira, mas me surpreende e não briga comigo quando eu bato o carro, só diz "é! tem que mandar arrumar!", viciada em chocolate, se alimenta mal, não come verdura nenhuma, troca o nome dos filhos e dos cachorros todos, se empolga com os meus namoricos, mas implica com os do meu irmão, aliás implica com muita gente aparentemente sem motivos, mas no final a danada sempre tinha razão.

A verdade é que eu não preciso de motivos para o meu sentimento, só é bom de sentir, de demonstrar e é o mesmo sentimento que eu quero que os meus filhos tenham por mim...e quer saber? Não consigo mais escrever, lágrimas sempre me atrapalham a enxergar.

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

"O poeta é um fingidor...."

"Deixe-me olhar bem nos seus olhos"

Há quem finja tão completamente que chega a fingir que é um vovôzinho bondoso perdido no mundo. E eu sendo boba toda vida, caí numa pataquada. Com essa minha incurável baixa auto-estima, sempre reclamava ressentida que nunca haviam feito poesias para mim, eis que de repente me vejo musa inspiradora de alguns versos meio que assim "jogados ao vento"- ora eu, ora o meu nariz (sim! em uma outra ocasião fizeram uma poesia para o meu órgão olfativo, mas essa é uma outra história). Não digo que me sinto envaidecida (exceto pela poesia do nariz, que é bem bonitinha!), a palavra certa seria arrependida, ou irritada.

Explico-lhes a bizarra história do vovôzinho.

Em um belo dia ensolarado, muito certa de que os acontecimentos de minha humilde vidinha nada significavam, recebi o seguinte e-mail:

Não faz sentido algum para maioria de vocês, mas representa o 1º lugar da pessoa que lhes escreve em um ranking que mensurava, talvez o maior mico, ou a coisa mais divertida, chocante, surreal que aconteceu no feriado da semana passada, durante a visita de alguns amigos de Ribeirão Preto a minha querida e pacata, para não dizer monótona Anápolis.

Vamos logo à parte de como eu consegui esses 30 pontos. A noite de segunda-feira, que antecedia o feriado, prometia ser só mais uma dentre tantas outras: bebida, comida, piadas, falar mal de algumas pessoas, chamar o garçom de Esvênzio e quem sabe acabar na sinuca. Como era o último dia do pessoal na cidade, estávamos determinados a não dormir até o horário de eles irem para rodoviária (que era tipo umas 6 da manhã). Depois que o garçom derrubou meia garrafa de smirnoff ice na 6ª colocada do ranking, achamos que a diversão ainda não era suficiente. Então desafiei um dos presentes a imitar "o galo" (digo "o" porque diz a lenda que é um hábito antigo dessa pessoa imitar galo por aí, e por aqui! Vide 2º lugar no ranking). Não sei se foi a ausência total de vergonha ou a presença em excesso de álcool no sangue misturada à pressão da galera, mas no meio de um bar lotado, levanta um galo orgulhoso de ser galo e cacareja (galo cacareja né???). O fato mais curioso de todos é que as pessoas no recinto olharam aquilo sem o menor espanto, voltando às suas vidas como se fosse super normal uma pessoal levantar e imitar um galo em um bar.

Enquanto rachávamos o bico de tanto rir do feito corajoso, porém não valorizado, eu noto a presença de uma figura simpática e idosa ao meu lado, que aos gritos (não sei se pra se fazer ouvir, ou por ser surdo mesmo) diz "Só faltava o Seu Cordeiro, nessa mesa bonita e jovem!". E aí que eu fiz a coisa mais burra que eu poderia fazer: fui ser legal com o velho (Bem feito pra mim! Vai mais ser legal com todo mundo, vai!). O Sr. começa dizendo que é ele quem manda no pedaço, que ele tem 84 anos, e é casado só a 54, tinha 7 filhos, 2 netos e se vangloriava de lembrar o nome de todos eles. Diz que é apaixonado na esposa, mas que "ela não gosta muito dele não", palavras dele.

Começa a contar uma história que ninguém entendeu muito bem, de uma srª que era dona de um bar que não tinha banheiro, e ele caridoso que é, resolve leiloar uma vaca para arrecadar fundos para a construção de tal banheiro. E ele dizia "ela era uma mulher bonitona, loirona, gordona" e fazia uns gestos com os braços em volta da barriga simulando a barriga da dona do boteco sem banheiro. O resto da história envolvia um namorado ciumento da loirona, e o nosso bravo velhinho querendo puxar um 38 para ele. Todos nós, rindo muito, fingíamos que acreditávamos e que estávamos muito interessados em suas histórias.

Ele se gaba dizendo que é poeta, que escrevia poesias lindas para a mulher, mas ela as jogava fora. Não satisfeito ele recorria às serenatas, ela odiava, só virava para o outro lado da cama e dormia. Fiquei com pena do Seu Cordeiro, e acho que por deixar escapar alguma compaixão, ele disse que faria uma poesia para mim ali, de improviso.

Não me lembro bem da poesia, mas sei que era do tipo engraçadinha, com riminhas bem feitinhas e tudo. Ele dizia q eu era o molde da perfeição e ressaltava o quanto "os meus olhos brilhavam", e enquanto dizia isso ele colocava toda a sua atenção nos meus "olhos" que ficavam a baixo do meu pescoço, na minha caixa toráxica, bem dentro do meu decote. Quase certeza que ele fez curso de cantada junto com o pedreiro da construção de perto da minha casa que disse que eu "era bem feitinha!" (ponto pra minha auto-estima!).

O encantamento do Seu Cordeiro pela minha cor também foi bem narrado. Nem Hitler tinha tanta adoração assim pelas meninas de pele branquinha. Se ele soubesse que eu traí a raça ariana e que dentro dessa veias aqui corre um sangue para lá de vira-lata, com direito a mix de índio com escravo, ele se decepcionaria. "Das meninas queimadinhas eu não gosto não" ele dizia.

"Decepcionado com você, Joyce!"

Achando que já tinha ganhado a branquinha aqui, ele ainda quis ensinar aos meninos presentes, a receita do seu "sucesso" com as mulheres. Segundo ele o rapaz deveria atender três requisitos básicos: 1) ser inteligente (o que ele julgava ser demais), 2) ser bom de "papeamento" (palavra que deve existir no dicionário dele para designar a boa arte de papear) e 3) ter muito dinheiro (o que ele considerava o mais importante). Acrescentou ainda que o cara não precisa nem ser bom de cama, se o terceiro requisito fosse satisfatório.

O falatório do Seu Cordeiro não tinha mais fim. Ninguém mais achava graça, já tava chato e eu estava amargamente arrependida de ter dado qualquer moral para ele. Então, não sei se percebeu nossas caras de tédio, resolve se despedir e vai embora. Ficamos extremamente felizes com isso! A diversão já tinha sido garantida, eu já tinha sido motivo de piada e voltávamos à nossas conversas de boteco quando eu percebi que ele voltara. Ele se inclina para mim e com os olhos de Gato de Botas do Sherek diz "o que é que um velho bêbado faz quando esqueceu onde estacionou a caminhonete?".


"Fez valer seus 30 pontos!"

Espera aí! Eu tinha entendido certo? Ele queria que eu o ajudasse a achar a caminhonete dele? Ainda queria valer sua teoria que o que importava era ter dinheiro, dizendo quão bonita e nova era sua caminhonete vermelha! Ai, ai, ai!

Ofereci a ele a ajuda dos meninos, que ele instantâneamente recusou e como que por mágica, de repente o seu veículo resolveu aparecer! Ainda passou por nós buzinando todo contente.
A falta de amor da esposa dele começou a fazer todo o sentido do mundo para mim.

Nota mental: Se não for algum de meus avôs, lembrar de restringir-me ao "bom dia" e "tchau" com senhores com mais de 80 anos.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Meu mundinho às vezes despenca

"Decepção não mata, ensina a viver", escrevera um dia em minha agenda, a sábia Mariazinha, colega de escola da segunda série primária. E daí que ela falava miguxês e terminava com "te dolu miguxa"? As pessoas sábias correm o risco da pieguice. Certas coisas que ela escrevia (para mim e mais uma dezena de coleguinhas, exatamente igual!) faziam todo o sentido do mundo pra moi. Quanta verdade existia em "amizade é igual cristal, quando se quebra nunca mais é igual"! Nessa onda de escrever nas agendas eu gostava de me sentir profunda e citar Shakspeare: "Há mais mistérios entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia.", eu não tinha idéia do que isso significava aos 8 anos de idade, e ainda assim eu achava lindo.

Mas eu falava de decepção né? É tão fácil eu perder o foco quanto me decepcionar. Acontece com a maioria das pessoas que fantasiam demais. E atire a primeira pedra aquele que nunca na vida quis tanto uma coisa ou idealizou, criou cenas tão reais que elas se tornam verdade, pelo menos na sua cabeça, o que é pior. E se a realidade teima em aparecer, mostrando a língua e te chamando de bobona, você precisa odiar alguém, culpar alguém, faz birra, só porque as coisas não sairam como você havia imaginado. Eu ando reprovando fácil nessa matéria, eu teimo em não aprender, ando cada vez melhor na arte do "me lascar".

A minha decepção se estende facilmente às pessoas, acho que principalmente à elas. Minha primeira manifestação como cidadã por exemplo foi a maior decepção. Fiz meu título de eleitor aos 16 anos, empolgadíssima, porque eu queria votar no Lula, fazer valer meus direitos e me manifestar. Eu vibrei como se fosse final de copa do mundo quando ele tomou posse, e agora o governo dele tem sido decepcionante, não péssimo, mas decepcionante, sendo que eu imaginava uma porção de reformas políticas, fim das injustiças, desemprego e até mesmo da fome, mesmo na época sendo contra o "fome zero", ele fez o meu sangue de "companheira" se esvair fácil. Foi assim também quando eu quis muito ir ao show do Zeca Baleiro e só consegui vê-lo do nariz pra baixo, isso quando conseguia uma vaguinha entre uma planta e um cara que esbarrava em mim o tempo todo, e se eu olhava para ele com cara feia, ele me dava um sorrisinho e eu desviava o olhar antes que ele passasse à piscadinha, e pra piorar eu tive que suportar o Zeca cantando Odair José, sem reclamar e sem poder ir embora.

Longe de mim dizer que meus pais são motivo de decepção, muito pelo contrário, tenho um orgulho danado dos velhos, mas devo dizer que minha mãe me decepciona um pouco por torcer o nariz para desenhos animados e o bom e velho rock and roll, mais ainda quando ela vibra com big brother brasil. Meu pai também não escapou a esse sentimento, quando entre seus pertences eu encontrei um cd do Calcinha Preta, logo ele que me deixou de herança um apreço pela boa música. Foi assim também quando eu descobri que o meu primeiro amor era gay, e quando o meu amor platônico da minha vida toda preferiu umas das minhas melhores amigas a mim. Meu primeiro beijo então foi a coisa mais babada e decepcionante da minha vida, eu não sabia se ele beijava a minha boca ou o meu nariz, eu só sentia a gosma e aquele gosto de coca-cola que vinha da boca dele.

O campeão, recebendo o "prêmio decepção", é o engenheiro da casa nova, que por amor à vida abandonou a construção. A casa era um sonho lindo e dourado que se tornou o maior pesadelo. Ela mais parecia um navio à beira de um naufrágio, com toda aquela água vazando dos canos da parede da sala. Depois de muita "dança do vazamento", chiliques, ataques de nervos e praticamente acampar ao invés de morar, acho que finalmente começo do mês que vem nós nos mudamos pra valer.



Mas eu enrolei até agora para NÃO dizer a que vim. Minha covardia me decepciona eu sei. Meu mundo anda meio caidinho e não estar em minhas mãos dar uma levantadinha é mais decepcionante ainda. Acho que cair na real é uma das piores sensações que existem...necessária, mas terrível. Eu vivo fazendo o que não se deve, aposto muitas fichas nas pessoas, todas eu diria, ofereço a elas um lugar privilegiado, com direito à janelinhas brancas e vista para o mar, e eu não deveria ficar surpresa em perder, porque eu na verdade nem sei qual é o gostinho de ganhar. Se embaixo da ponte é suficiente para elas, eu deveria ir para praia sozinha, até fazer umas aulas de surfe quem sabe. Odeio ficar metafórica assim...me desculpem!

"Não sou igual a cristal não, mas vamo evitar de me deixar cair?"

Segunda-feira, 13 de Abril de 2009

De quantas novenas é feito um coração cheio?

"E o coração dela ainda tá vazio?"

Domingo de manhã, o telefone toca na sala.
Pela casa toda escuta-se o "OI VÓ!" gritado pela minha mãe. Sabe-se logo: é a vovó Lila, minha bisa.
Pelo que a minha mãe responde, dá para imaginar todo o diálogo. A vó engata em uma série de perguntas e respostas seguidas: "Estão todos bem?", "Aí tá chovendo muito? Aqui em São Paulo tá chovendo!", "A Tia Francisca tá mandando um beijo!", "e a casa nova?" e termina sempre com "ah! os meus ouvidos já não me ajudam mais!". Vez ou outra a minha mãe faz uma pergunta seguida de uma risada enquanto comenta com a gente, tapando o bocal do telefone (como se a minha bisa pudesse ouvir) "ela não escuta uma palavra do que a gente diz!". A gente percebe que ela não ouviu quando fazemos uma pergunta do tipo "Que dia você vem vó?" e ela responde "é!".
Ela é adorável! Uma coisinha fofa de cabelo roxo e unhas sempre bem feitas, pintadas de cor de rosa.
Nunca vou me esquecer da cartinha que recebi no meu aniversário do ano passado. Ela se desculpava pela caligrafia pois "a vista já não lhe ajudava", e me mandava dois presentes: um era um dinheirinho, segundo ela um "agradinho" e o outro era uma novena que ela me ensinava fazer, que era "tiro e queda" pra arrumar marido, porque "uma comadre dela fez e arrumou um marido riquíssimo, e ela já tinha quarenta anos". É, ela me acha uma encalhadona! Pior ainda, uma encalhadona que precisa de novena! E ainda pior, a situação é mais grave por ela me comparar a uma solteirona de 40! Ai meus sais...para os 40 só falta 16 anos! Será que eu devo começar a pensar em novena?
Eu entendo a preocupação da vovó. Na época dela, as moças se casavam cedo. Assim foi com ela, e por ter enviuvado também cedo, deve saber quão ruim é não ter um companheiro para dividir as alegrias, as tristezas e as dívidas, porque, que eu saiba, ela sustentou dois filhos sozinha, trabalhando como caixa de armazém. Isso na década de 40, eu imagino quanto preconceito ela enfrentou em uma sociedade machista. Ela era porreta!
Ela tem mais quatro bisnetas, duas que mal saíram das fraldas, mas já tem dois namorados cada uma e outras duas que namoram há anos e o casamento já é quase certo. Então sobra para mim. Acho que na visão dela, ela tem que me salvar da solteirice. Não adianta, talvez nem importe a minha vontade, o que ela quer é me casar!
Nesse domingo, o final da conversa dela com a minha mãe foi um pouco diferente do que costuma ser: "E a Joyce tá bem? O coração dela ainda tá vazio?", "Não vó, tá não! O coração dela tá sempre cheio! Do jeito dela, mas tá!". Não sei se a vovó ouviu o que a minha mãe disse, mas ela respondeu "Eu continuo rezando por ela!"

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Sobre coisa nenhuma

Fazia sol quando eu o conheci. Ele era de um colorido bonito de se ver, tão bonito que doía no coração. Ele era da cor que eu quisesse, camaleonicamente colorido. Cor de vida. Ele só sabia ser. E ser só já lhe bastava. Me bastava também, porque eu era.
E agora o sol se pôs, mas também não é noite, nem chove. É coisa nenhuma. Um dia sem cor. Ele também se deixara desbotar e só. Ser me pareceu sem sentido.

Deixa eu me sentir assim hoje...

Quinta-feira, 2 de Abril de 2009

Mais coisas de mulherzinha

"outra beleza, outra beleza você tem, que põe cama e mesa e mais beleza no mundo também"

Quer uma coisa mais de mulherzinha do que meme?
E como eu ando muito mulherzinha (não sei se é a fase da lua, TPM, o layout novo do blog ou surto!) eu adorei responder esse aqui que a querida Mica mandou. Meninos não fiquem chateados e não fechem a janelinha, eu ainda amo vocês.
Então vamos seguir as regras e copiar tal qual o meme existe:

"Toda mulher gosta de se sentir linda, glamourosa, espetacular e etc...etc...É o seguinte:
escrever 7 segredinhos de beleza seus, -convidar 7 parceiros(as) de blogs amigos para responder;-comentar no blog de quem nos convidou;-comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da”convocação”; -linkar o blog que te convidou, no seu blog (no post em que voce responder as perguntinhas) e mencionar as regras. by Rockspace!"

Eu me considero deveras vaidosa, e é claro que eu tenho os meus truques, se não de beleza, os de ficar apresentável, bonitinha, engraçadinha, menos-feia, pégavel...vai do gosto do freguês.
Então pra não me tornar a mulher elefante ou a "Imperatriz de Tiririca da Lagoa do Bode" (Crônicas de Nárnia é vida!), eu faço assim ó:

1 A primeira coisa que eu cuido é do sorriso. Apesar de ser filha de dentista, não é dos dentes que eu estou falando; é claro que ter cuidado com os dentes, escovar direitinho, passar fio dental não faz mal a ninguém; (por que afinal de contas você pode ser a miss simpatia, mas um sorriso amarelo, cariado ou baguela não é nada sedutor), eu falo de sorrir sempre, sincero se possível. Eu acho uma pessoa que sabe sorrir linda, gargalhando então me deixa caidinha de paixão. Senso de humor, e acima de tudo bom humor é o melhor segredo de beleza, chama a atenção, atrai as pessoas. Sorrir exercita toda a face e gargalhar deixa a barriga durinha, melhor que abdominal, sem falar que é terapêutico, espanta depressão, previne o envelhecimento, as rugas e faz bem ao coração, mesmo que eu tenha inventado tudo isso, sorrir é no mínimo divertido e mal não faz.

2 Já dizia minha boa e velha amiga Mayra (que tá bem novinha por sinal): "se nada der certo, pelo menos o cabelo tá bonito!" e é trazendo essa filosofia de vida é que sigo em frente. Tudo bem que eu judio muito do meu, é muita tinta, cada mês um corte, mas essas madeixas ruivas aqui são bem cuidadas. A minha sorte é que eu tenho muito cabelo e ele é bom, porque já fiz tratamentos desde naturais com babosa até aqueles mais radicais com formol. Parei com isso, acho que estou contente com o meu cabelo, talvez eu deixe crescer, mas gosto dele. Ah! Se vocês pintam o cabelo, uma dica: não usem babosa logo após a tintura, ele pode ter uma reação química e ficar levemente rosa. Vai por mim, conhecimento de causa.

3 Estou de verdade tentando mudar isso, mas odeio atividade física. Já briguei com a academia e tenho raiva de quem gosta. Faço minhas caminhadinhas a tardezinha, quando muito inspirada arrisco umas corridinhas, às vezes vou a pé trabalhar pensando na vida, aposentei a bicleta por preguiça, mas houve época que eu era a rainha das pedaladas, estava com uma resistência física tão boa e as pernas estavam um chuchuzinho (nossa preciso muito fazer as pazes com a minha bicicleta!). Eu não tenho a pretensão da magreza e absoluta consciência da minha genética generosa, mas eu morro de medo da balança, tenho até certa neurose, conto calorias, sofro horrores por ter comido um brigadeiro (mas não deixo de comer! como e sofro, não necessariamente nessa mesma ordem). Me chamaram de gostosa um dia desses e eu tive que fingir que eu fiquei muito brava e ofendida, mas eu na verdade achei legal até! Tudo bem que foi pedreirada...de fato isso aconteceu em frente a uma construção, será que vale?

4 Dormir! Gente isso faz um bem, e isso é uma das coisas que eu faço de melhor na vida. Sendo boa de cama (no bom sentido e não no ótimo) eu me sinto melhor, mais disposta. Se eu fico sem dormir, a olheira é certa e eu não presto para nada. Dormir é ótimo e todo mundo pode fazer. Uma boa noite de sono só não é melhor que uma boa noite sem sono por bons motivos (é aí que o ótimo sentido é bem vindo!)

5 Nada de cremes de néctar extraído das orquídeas raras do sul, polinizadas pelas abelhas selvagens da Malásia, como adepta do "faça você mesmo, em casa, porque é mais barato", eu extraio da minha cozinha e do meu jardim todo meu aparato de beleza. Para o cabelo abacate, camomila, leite. Para esfoliar a pele açúcar, mel, fubá, e se nada disso der certo é só juntar tudo e fazer um bolo e uma bela vitamina.

6 Roupa, sapato, acessórios e maquiagem são importantes. Sou adepta de um decote, mas só quando a intenção é ser fatal e mostrar logo a que veio, eu prefiro evitar porque eu acho que atrapalha um pouco o contato visual. Sabe aquela conversa olho no olho? Com decote esquece! Salto, eu aprendi a usar tem pouco tempo, e gosto, mas ainda pouco eu era chamada de patinha pelo jeito peculiar de andar, não o domino muito bem, embora não negue que nos deixa poderosas, é só praticar mais para não parecer uma velhinha entrevada. Acessórios adoro! Quando não faço os meus próprios, procuro sempre os mais diferentes, mas é raro eu estar sem, acho que é um detalhe importantíssimo na composição do visual. Uma das coisas que eu não abro mão é do meu kit de sobrevivência: corretivo, rímel, blush e gloss. É claro que na minha bolsinha de maquiagem tem tudo que se imaginar, mas esse que é o básico, os primeiros-socorros da maquiagem, não fico sem.

7 Depois de me sentir bem fútil com todas as dicas anteriores, eu digo que o que eu prezo mesmo é a beleza interior, intelecto, bom senso, bom gosto, carisma. Acho mais do que fundamental não ser "por fora bela viola, por dentro pão bolorento". Causa estranheza em certas pessoas, que o meu padrão de beleza não corresponda ao padrão da maioria, aos olhos dos outros eu me sinto atraída pelo esquisito, pelo feio! Às vezes acontece das coisas serem esquisitas mesmo, fazer o que? É aí que está o problema em achar quase tudo bonito, você acaba por ser "a excêntrica". Se o seu forte não for a beleza, ser uma pessoa de conteúdo te joga no mundo dos bonitos, ou se você já é uma pessoa abençoada pela natureza, te eleva quase à perfeição. Mulher inteligente, sensível, sensata é linda!

E isso é tudo galera! Não vou indicar ninguém, porque...ah porque eu não quero! Mas Mayra, Paola, Amanda, Rafitcho, Tiago, Biel e quem se sentir forçado, ou enlouquecido de vontade de responder...não façam cerimônia!